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domingo, 21 de agosto de 2011

Estratégias de comunicação

Muito se tem escrito sobre as redes sociais e sobre o uso que diversos dirigentes políticos delas fazem. Tem-se tornado um meio habitual para transmitirem as suas mensagens, e por isso muitos os têm criticado, usando com frequência o argumento de que banaliza a sua mensagem e o conteúdo.


O Presidente da República tem sido recorrentemente acusado do pecado capital da acedia, por não se pronunciar publicamente sobre as questões mais relevantes para a nossa vida pública. Há umas semanas, em entrevista ao Expresso, criticava a forma como a Alemanha e a França têm dirigido a União Europeia, substituindo-se às suas instituições de forma "ostensiva". Foi uma mensagem forte, mas não teve qualquer consequência visível. Este fim-de-semana, publicou uma nota no Facebook, com a mesma mensagem subjacente, criticando a proposta da constitucionalização dos limites ao défice e ao endividamento públicos. A verdade é que a mensagem passou: foi noticiada em todos os meios tradicionais e motivou diversas reacções. Mais que isso, foi lido directamente, sem intermediários, por milhares de cidadãos. Pode-se criticar a forma "pouco nobre", mas não restam dúvidas sobre a sua eficácia. A meu ver, vale muito mais.

sábado, 2 de julho de 2011

A cobertura mediática da contestação social grega


Na Grécia vivem-se tempos conturbados, como todos sabemos. Têm-se sucedido os protestos, muitos deles violentos, contra o pacote de austeridade imposto pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional. A comunicação social internacional tem-se dedicado ao acompanhamento da situação grega, que é seguida com especial interesse pelos portugueses, por estarmos também a começar a implementar um plano de reajustamento com as mesmas instâncias internacionais que eles.

As televisões e os jornais têm enviado equipas de jornalistas para fazerem extensivas reportagens sobre o evoluir dos acontecimentos, como também para nos darem um conhecimento mais profundo da realidade social (exemplo da reportagem publicada na revista Única do Expresso do fim-de-semana passado). Infelizmente, não podemos dizer que conhecemos bem o que se está a passar por lá.

Na quarta-feira, dia 29 de Junho, o parlamento grego aprovou por uma maioria reduzida o novo plano de austeridade que o país terá de implementar para continuar a beneficiar do empréstimo financeiro internacional. O principal partido da oposição, Nova Democracia, de centro direita e da família política europeia do PSD e do CDS, votou contra. Votou, aliás, no mesmo sentido de oposição a todas as medidas de austeridade que têm sido propostas no último ano. A comunicação social portuguesa esteve em peso em Atenas para cobrir a votação, tendo dado espaço mediático ao assunto, com transmissão de excertos dos discursos do Primeiro-Ministro Papandreou e do seu novo Ministro das Finanças. No entanto, nem um segundo foi dedicado ao porquê do voto da oposição. Pelos media nacionais é impossível perceber-se o porquê da posição do Nova Democracia, pois em momento nenhum lhes deram voz, em momento nenhum nos tentaram explicar o que pensam.

Independentemente de quem julgarmos que tem razão, este comportamento é uma limitação grave, um incumprimento até do dever de informar que está na base da razão de ser da comunicação social. Neste caso, como em tantos outros, não estão a servir de mediadores no acesso à informação. Estão-nos apenas a mostrar um dos lados. E isto condiciona em vez de libertar.

Se falo na Nova Democracia, poderia também falar nas outras forças políticas que também se opõem ao pacote de austeridade. E não é um problema deles. Foi desta mesma forma que os media internacionais noticiaram Portugal ao longo do último ano.

domingo, 3 de outubro de 2010

Como se faz política hoje em Portugal

Fernando Madrinha assina no Expresso de ontem um dos mais lúcidos artigos de opinião que tenho lido, importante para se perceber como se faz hoje "política" em Portugal (clicar na imagem para aumentar).

Aliás, considero muito bom todo o conteúdo do Primeiro Caderno desta edição do Expresso que li até ao momento. Uma análise séria e a sério sobre a semana, informando, questionando e desmascarando aquele que é o discurso político actual. Vale a pena os 2,95€ dispendidos.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Regular a mediatização do Processo Casa Pia

Talvez (também) movida por "convicções", necessariamente a ERC teria que intervir (ver comunicado). Como entidade administrativa independente exerceu os seus poderes de regulação e supervisão reafirmando o princípio constitucionalmente consagrado da Liberdade de Imprensa, mas sem descurar o fundamentado "evocar de responsabilidade" do serviço público de televisão (a RTP já tinha interpelado o Provedor do Telespectador sobre esta matéria), mormente o respeito pelos princípios éticos e deontológicos do jornalismo e, (não direi acima de tudo) em reforçado princípio constitucional, o respeito pelas decisões dos Tribunais. Em minha opinião, exerceu com rigor as atribuições legais que lhe estão cometidas.