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domingo, 3 de outubro de 2010

Como se faz política hoje em Portugal

Fernando Madrinha assina no Expresso de ontem um dos mais lúcidos artigos de opinião que tenho lido, importante para se perceber como se faz hoje "política" em Portugal (clicar na imagem para aumentar).

Aliás, considero muito bom todo o conteúdo do Primeiro Caderno desta edição do Expresso que li até ao momento. Uma análise séria e a sério sobre a semana, informando, questionando e desmascarando aquele que é o discurso político actual. Vale a pena os 2,95€ dispendidos.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mais "austeridade"

Esta noite, o jantar teve sabor amargo. Na televisão, o nosso Primeiro-Ministro apresentava mais medidas de "austeridade" para o país. Mais um "apertar de cinto", fossem os tempos para eufemismos. Não, agora vai ser mesmo a doer para todos, em particular para os funcionários públicos.

O problema é que a situação actual era previsível há muito, muito tempo. Todos os sinais já estavam presentes há um ano e havia muitos alertas para o mau estado das contas públicas. Lembro-me bem do que aconteceu há um ano atrás, na campanha para as eleições legislativas. Manuela Ferreira Leite fez uma campanha em que centrou o seu discurso na necessidade de falar verdade aos portugueses, sendo que falar verdade era dizer-lhes que estávamos num rumo insustentável e que caminhávamos a passos largos para o desastre. Por toda a Europa já se falava de austeridade, de medidas de contenção e de equilíbrio das finanças dos Estados. Em Portugal, Sócrates fez de conta que nada se passava. Chegou a apelidar Manuela Ferreira Leite de pessimista e os que a acompanhavam na crítica de "velhos do Restelo". Tinham razão e Sócrates veio dar-lhes agora.

Mas há uma questão essencial no meio disto tudo: o Governo tinha acesso a toda esta informação, mais e melhor que ninguém; o Governo tinha técnicos ao seu dispor e no seu seio com as capacidades técnicas para verem este problema e procurarem soluções. E o Governo não actuou. Foi adiando a solução, tentando chegar ao equilíbrio com mezinhas que não resultaram. Porque não actuou há pelo menos um ano atrás? Até seria compreensível que, por mero tacticismo político eleitoralista, não tivesse agido antes das eleições legislativas. Mas já lá vai um ano que o PS foi novamente o partido mais votado para a Assembleia da República. Não agiu, e se o tivesse feito na altura as medidas a aplicar seriam significativamente mais leves que agora, porque cada dia que passou e que passa agrava a factura. Não agiu, e não o fez por incompetência. Incompetência política.